sábado, 11 de agosto de 2012

Amor Maior


"Por onde andas, meu amor maior? Porque me tens aqui cativa neste lugar onde a culpa e os fantasmas me perseguem? Quero de novo sentar-me junto à Fonte Nova, ouvir as águas que nela correm cantando o nosso amor a uma só voz, esconder-me deste mundo horrível e carrasco que teima em ver-me como uma maldição, esquecer-me de tanta perfídia e de toda a maldade que nos cerca e ser tua mais uma vez; sentir os teus dedos pelo meu corpo ainda fresco, saborear a força dos teus pulsos guerreiros em volta da minha cintura que a maternidade não roubou, respirar o teu ar enquanto encostas a tua cara nos meus cabelos loiros que tanto amas, sentir-te todo dentro de mim como um caudal de paixão e de força que nunca se cansa nem morre, na esperança de me dares ainda mais filhos saudáveis como os que Deus nos enviou. Perder-me nesse prazer indizível que o mundo só concede às meretrizes e às mulheres condenadas, fechar os olhos para te ver melhor, e à tua volta, como sinais do Divino, descobrir novas estrelas, brilhos funestos e cintilantes, e sentir no fundo mais fundo da minha alma que sou tua, que te pertenço íntegra e inteira, que este amor é tão forte, tão belo e tão certo que nem toda a malícia do mundo pode destruir."

in Minha Querida Inês de Margarida Rebelo Pinto 

1 comentário:

Anónimo disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blogue.